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"Um escritor chega à velhice quando suspeita que o artigo que está a escrever já tinha sido escrito por ele no passado."

Revolução cultural nos bairros de Petrópolis

Publicado em: 09/10/2020

Por: Diana Iliescu

Algo de novo acontece na periferia de Petrópolis. No sábado passado foi no Alto Independência, no sábado retrasado no Bataillard, em dias anteriores aconteceu no Vale das Videiras, no Vale do Carangola, no Bonfim, no Morin, na Siméria, no Cascatinha, no Alto da Derrubada, em Nogueira, na Posse, em Pedro do Rio e em outros lugares distantes do centro histórico. Uma discreta revolução parece estar se espalhando pelos bairros da cidade, capitaneada por um instrumento simples e efetivo de política pública: o Fundo Municipal de Cultura.

Fazia algum tempo que muitas dessas regiões não recebiam uma atividade cultural para seus moradores. Porém, com as inscrições no edital de projetos do Fundo, muitos realizadores culturais da cidade puderam apresentar arte, pensamento, pertencimento, ensinamento, diversão e muitos outros ganhos sociais para uma população que enfrenta dificuldades em alcançar uma cidadania plena.

“A Incrível Aventura das Sonhadoras Crianças contra Lixeira Furada e Capitão Sujeira” é o nome do filme de curta-metragem que o Cineclube Cine Pagu criou com as crianças do Alto da Independência. Divididos em equipes, 43 crianças cursaram oficinas de formação audiovisual, tais como introdução à linguagem do cinema, roteiro, direção de arte e fotografia. Ao final de 5 meses, fizeram em conjunto um filme rodado nas paisagens locais mais simbólicas para as crianças, que encenaram uma ficção de heróis sobre o lixo do bairro. A letra e linha melódica da trilha sonora foram criadas por Maicon, de 9 anos, assim como cenários, figurinos e adereços foram todos criados por estudantes do Centro Educacional Comunidade São Jorge. No dia do lançamento do filme na quadra, muitas famílias se emocionaram e a professora da escola pediu para que os adultos nunca mais deixassem que ninguém tire de suas crianças a certeza de que elas são capazes de realizar.

No Battailard, a Nação Hip-hop realizou um encontro multicultural com diversos artistas da cidade. O ponto alto foram as batalhas de rima, onde os jovens criam versos na hora, um respondendo ao outro, e a plateia decide quem se saiu melhor. Qualquer um pode pegar o microfone e rimar, inclusive um jovem morador de 10 anos que entrou em uma roda pela primeira vez, para orgulho de sua mãe que estava assistindo. A moça que vendia açaí no bairro disse aos organizadores que nunca tinha visto um evento tão saudável por ali.

As apresentações de circo e teatro também tiveram destaque. No Alto da Derrubada, a Dupla Malabaguita levou o público local às gargalhadas, apresentando aparelhos que muitos ali nunca nem tinham visto, como o monociclo de equilíbrio. A presidenta da associação de moradores conseguiu providenciar pipoca e refrigerante para as crianças, que ainda participaram da oficina de circo, numa tarde memorável para a comunidade.

Além destas, muitas outras ações artísticas foram realizadas – no Centro de Cultura Raul de Leoni, em praças públicas e em outros equipamentos culturais pela cidade – como a Mostra de Teatro, o Festival Riso Solto, o Festival de Esquetes, o filme de importância histórica para Petrópolis “Guarany – Eu sou o menino do Cine Paradiso” e tantas mais, que o pouco espaço não permite a justiça de citar. Todas estas produções tiveram algo em comum, foram financiadas pelo Fundo Municipal de Cultura, nas duas edições do edital de projetos publicadas no ano de 2019 (uma era referente a 2018). Por um valor anual igual ao pago pela Prefeitura ao Coral Integração 2019, ou seja, 250 mil reais anuais, a população petropolitana consegue executar em torno de 20 projetos nos mais variados territórios. Muitos deles conseguem atingir até 8 bairros com a mesma atividade cultural. Esta é a forma mais democrática de se produzir cultura em uma cidade. Com um valor relativamente pequeno de investimento, já obtivemos um resultado marcante para aqueles que foram alcançados por estes projetos. Em 2020, como a cada ano, respeitando a lei 6.806/10, o edital será publicado. Isto indica que novas boas propostas culturais irão surgir para o benefício geral dos petropolitanos.

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